
Respiração oral e alterações posturais: O que vc precisa saber?
- Suemy Izu
- 31 de jul.
- 3 min de leitura
O nariz é o caminho natural e ideal para a respiração. Ele filtra, umidifica e aquece o ar antes de chegar aos pulmões. Quando respiramos pela boca de forma habitual — seja por causa de nariz entupido, amígdalas aumentadas, desvio de septo ou alergias —, o corpo inteiro precisa se adaptar. E essas adaptações afetam muito mais do que só o rosto: elas mudam a postura de todo o corpo.
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Para conseguir passar mais ar pela boca, o corpo faz ajustes automáticos e inconscientes:
• A cabeça avança para frente (chamamos de "postura de cabeça anteriorizada"). Isso é o sinal postural mais consistente nos respiradores orais.
• O pescoço se altera: a curvatura cervical pode diminuir ou se modificar, sobrecarregando os músculos e articulações do pescoço.
• Os ombros arredondam e as escápulas (omoplatas) sobem e se deslocam.
• A lordose lombar aumenta (a curva da região lombar fica mais acentuada), como compensação pelo desequilíbrio gerado lá em cima.
• A cifose torácica (corcunda nas costas) também pode se acentuar.
Pense assim: o corpo é uma cadeia. Quando a cabeça sai do lugar, as costas, o quadril e até os joelhos precisam se reajustar para manter o equilíbrio. É como uma torre de blocos — se o bloco de cima torce, todos os de baixo compensam.
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Estima-se que até 30% da população seja respiradora oral habitual. Entre essas pessoas, estudos mostram que as alterações posturais são significativamente mais frequentes do que em quem respira pelo nariz. Em crianças com obstrução nasofaríngea (como adenoides aumentadas), mais de 54% apresentam postura cifótica (costas curvadas), comparado a apenas 25% das crianças sem obstrução.
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Na infância, os ossos, músculos e articulações ainda estão em formação. Por isso, a respiração oral durante o crescimento pode deixar marcas permanentes:
• O rosto se alonga e fica mais estreito
• O palato (céu da boca) fica mais alto e estreito
• A mandíbula recua (retrognacia)
• A mordida se altera (mordida aberta, cruzada ou Classe II)
• A postura da cabeça e da coluna se fixa em posição inadequada
Um estudo importante mostrou que adultos que foram respiradores orais na infância mantêm as alterações posturais na vida adulta — especialmente a cabeça projetada para frente e o aumento da lordose lombar — mesmo depois de crescidos. Ou seja, o que não é tratado na infância tende a persistir.
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Essa é uma pergunta importante. A ciência ainda está estudando essa relação com mais profundidade, mas o que já sabemos é:
• As alterações posturais causadas pela respiração oral sobrecarregam estruturas da coluna de forma crônica — discos intervertebrais, articulações facetárias e músculos paravertebrais.
• Essa sobrecarga prolongada, especialmente durante o crescimento, aumenta o risco de dores cervicais, lombares e torácicas ao longo da vida.
• A relação direta com hérnias de disco ou escoliose ainda não está completamente estabelecida pela ciência, mas o desequilíbrio postural crônico é um fator de risco reconhecido para essas condições.
• Crianças com escoliose (curvatura lateral da coluna) também apresentam maior frequência de problemas respiratórios, sugerindo que coluna e respiração se influenciam mutuamente.
Em resumo: a respiração oral provavelmente não "causa" uma hérnia de disco diretamente, mas pode criar as condições posturais que, ao longo de anos, aumentam esse risco.
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O tratamento da respiração oral é multidisciplinar — envolve vários profissionais trabalhando juntos:
• Otorrinolaringologista: para tratar a causa (alergias, adenoides, desvio de septo)
• Ortodontista/Ortopedista Funcional dos Maxilares: para corrigir as alterações na mordida e no palato
• Fonoaudiólogo: para reeducar a musculatura da boca, língua e respiração (terapia miofuncional)
• Fisioterapeuta: para corrigir a postura e fortalecer a musculatura da coluna
• Pediatra: para coordenar o cuidado, especialmente em crianças
Quanto mais cedo o tratamento começa, melhores os resultados. Na infância, o corpo ainda está moldável e responde muito bem às intervenções. Em adultos, a melhora também é possível, mas exige mais tempo e dedicação.
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A respiração oral não é apenas um hábito inofensivo. Ela afeta a postura, o crescimento do rosto, a qualidade do sono e pode contribuir para problemas na coluna ao longo da vida. Se você ou seu filho respira pela boca com frequência, converse com seu médico. Tratar a causa e reeducar a respiração é um investimento na saúde de todo o corpo.


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